Arc Raiders: Embark revela como abandonar o F2P salvou o design do jogo
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Arc Raiders: Embark revela como abandonar o F2P salvou o design do jogo

O novo episódio da série documental The Evolution of Arc Raiders revelou uma mudança crucial nos bastidores da Embark Studios: após anos tentando encaixar o shooter no modelo free-to-play, a equipe decidiu migrar para um formato premium — e isso, segundo os desenvolvedores, “libertou” o processo criativo.

A decisão não foi pequena. Arc Raiders nasceu em 2021 como um co-op gratuito e só depois virou um PvPvE extraction shooter, seguindo a reimaginação completa do projeto. Mas, internamente, o estúdio enfrentava um dilema familiar para quem trabalha com F2P: como equilibrar risco, recompensa e retenção sem comprometer o ritmo natural do jogo?

O diretor de design Virgil Watkins contou que, no modelo free-to-play, alguns sistemas precisavam ser “mais lentos do que deveriam”, criando loops pensados para manter jogadores ativos por mais tempo. Isso impactava diretamente o respeito ao tempo das pessoas — especialmente em áreas como crafting e estrutura de sessões. Quando o estúdio decidiu abandonar o F2P, tudo mudou.

Watkins explica que, no formato premium, a equipe pôde ajustar tempos, quantidades e progressão de maneira mais natural. O crafting perdeu timers, os requisitos ficaram mais racionais e a relação entre esforço e recompensa finalmente começou a “conversar” com o que o time queria desde o início. Para os devs, foi um alívio criativo.

Mas a transição não removeu todos os desafios. Watkins reconhece que, mesmo com preço de entrada, há a necessidade de monetização contínua — só que agora sem deslizar para práticas predatórias. Encontrar esse ponto de equilíbrio virou o novo quebra-cabeça.

O CEO da Embark, Patrick Söderlund, também falou sobre o impacto estratégico da mudança. Ele lembra que um jogo free-to-play poderia atrair “dezenas de milhões” rapidamente, mas não necessariamente seria o formato ideal para o que Arc Raiders estava se tornando. À medida que o projeto ganhava nova identidade, a dúvida interna só crescia: “O F2P ainda faz sentido para nós?”

A resposta veio em 2024, quando o estúdio confirmou oficialmente a virada de chave para o premium. Um ano depois, em outubro de 2025, o jogo estreou com força — e se tornou o maior lançamento global da história da Nexon, dona da Embark.

A comunidade enxergou a mudança com curiosidade e certa dose de alívio. Jogadores comentaram que o ritmo do game parecia mais respeitoso e que a experiência de extração ficava mais clara quando não estava amarrada a loops de retenção típicos do F2P. Para muitos, a sensação era de um jogo que finalmente podia respirar.

O impacto a longo prazo ainda está se desenhando, mas a escolha da Embark aponta para uma tendência importante: alguns estúdios começam a entender que certos gêneros — especialmente shooters com progressão complexa — funcionam melhor quando não estão presos às amarras do free-to-play. Para o público, isso pode significar experiências mais diretas, transparentes e ajustadas ao ritmo natural de cada jogador.

No fim, Arc Raiders se transforma não só em um caso de sucesso comercial, mas também em um exemplo de como ouvir a própria equipe pode redefinir completamente o destino de uma franquia.

Fonte: https://www.gamesindustry.biz

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About Mairon Vieira

Jornalista especializado em gamers. Comecei jogando Gunbound, Tibia, Priston Tale, 2Moons Online, Pirates Online, Gonzuu Online, Trickester Online, Priston Tale, Cabal Online, Tree of Savior, entre tantos outros. Já trabalhou nos maiores portais de jogos do Brasil sobre MMORPG.

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