A ArenaNet revelou novos detalhes sobre a humanidade de Guild Wars 3, mostrando uma versão da raça bem diferente daquela conhecida nos jogos anteriores. Em vez de um povo tentando sobreviver aos destroços de uma antiga civilização, os humanos aparecem em um momento de expansão, descoberta e ambição.
A nova visão faz parte da construção narrativa do MMORPG, que leva os jogadores para uma Tíria muito mais antiga. A aventura acontece em Orr, uma região ainda em formação e repleta de magia, onde a humanidade começa a descobrir qual será seu lugar naquele novo mundo.
Uma humanidade em plena ascensão
Nos jogos anteriores da franquia, os humanos costumam ser associados a impérios em decadência, guerras e à luta para preservar o que restou de seu antigo poder.
Guild Wars 3 pretende inverter essa perspectiva.
Os humanos chegaram à Tíria vindos de outro mundo através das Brumas, seguindo os seis deuses. Quando a história começa, eles já vivem na região há mais de 700 anos e estabeleceram importantes centros de civilização, incluindo Cantha, Elona e Ascalon.
É justamente esse período de crescimento que a nova aventura pretende explorar. Em vez de acompanhar uma civilização tentando recuperar seu passado, o jogador estará diante de um povo que ainda está descobrindo até onde pode chegar.
Orr se torna o grande ponto de tensão
O cenário escolhido pela ArenaNet é fundamental para essa proposta.
Orr ainda não é a terra devastada conhecida pelos fãs de Guild Wars. Durante essa era, a região é um território extraordinariamente rico em magia e abriga os Vael, espíritos mágicos ligados aos fluxos de energia do local.
Para os humanos, os Vael representam muito mais do que criaturas sobrenaturais. Eles estão ligados à fertilidade da terra, à vida e à própria relação espiritual que a humanidade mantém com Orr.
E é justamente aí que surge um dos conflitos centrais da história.
De um lado estão aqueles que enxergam a magia de Orr como uma oportunidade para levar a civilização humana a um novo patamar. Entre eles estão os Mavenwrights, uma guilda de industrialistas que acredita que os recursos mágicos da região devem ser utilizados para construir um futuro mais ambicioso.
Do outro estão os Vaelwardens, grupo dedicado à proteção dos Vael e das terras onde esses espíritos vivem.
O jogador ficará entre dois futuros possíveis
É nesse ponto que Guild Wars 3 coloca o jogador.
A aventura começa entre os Vaelwardens, uma das guildas mais antigas de Orr. Sua missão envolve proteger os espíritos mágicos, preservar o ambiente e manter o equilíbrio entre os Vael e os diferentes povos que vivem na região.
A proposta também muda a posição tradicional do protagonista dentro da narrativa. Em vez de ser simplesmente alguém destinado a salvar o mundo, o personagem começa como parte de uma ordem que perdeu espaço justamente quando o restante da sociedade passou a enxergar a exploração da magia como sinônimo de progresso.
A própria ArenaNet descreveu os Vaelwardens como uma organização que está à beira do colapso, tentando proteger uma causa que muitos habitantes de Orr já consideram ultrapassada.
Isso cria uma tensão interessante para a história. O crescimento da humanidade não é apresentado apenas como algo positivo. Quanto maior sua capacidade de transformar o ambiente, maior também se torna a responsabilidade sobre aquilo que pode ser destruído.
Um novo olhar para os humanos de Guild Wars
A mudança de perspectiva talvez seja um dos aspectos mais interessantes da proposta.
Guild Wars 3 se passa em uma era anterior aos acontecimentos conhecidos da franquia, quando a humanidade ainda não havia chegado ao período de declínio que marcou boa parte de sua história.
O resultado é uma versão dos humanos muito mais próxima de exploradores e pioneiros. Eles possuem curiosidade, ambição e a sensação de que estão diante de um mundo praticamente aberto às suas possibilidades.
Mas Orr também deixa claro que nem toda possibilidade precisa ser seguida.
A disputa entre Vaelwardens e Mavenwrights coloca em jogo uma pergunta que pode definir boa parte da identidade narrativa de Guild Wars 3: até onde uma civilização pode avançar antes que seu próprio progresso comece a destruir aquilo que tornou esse avanço possível?
A resposta deverá surgir enquanto os jogadores exploram uma Orr ainda exuberante e descobrem uma humanidade que, pela primeira vez na série, não está olhando para o passado em busca de respostas. Ela está tentando descobrir o futuro.