O lançamento de Ragnarok: The New World no Steam não saiu como a Gravity Game Vision esperava. Poucas semanas após chegar à plataforma da Valve, o MMORPG acumulou uma forte reação negativa dos jogadores, principalmente por causa da ausência de servidores fora da Ásia, monetização, interface adaptada de celulares e sistemas de combate automático.
Diante da repercussão, os desenvolvedores decidiram responder às principais dúvidas da comunidade e detalhar algumas das mudanças que já estão em andamento ou sendo avaliadas.
Servidores fora da Ásia continuam sem data
Uma das maiores reclamações está relacionada à infraestrutura. Atualmente, a versão do Steam utiliza um servidor localizado no Sudeste Asiático, o que pode resultar em latência elevada e conexões instáveis para jogadores de outras regiões.
A equipe afirmou estar ciente da demanda por servidores em novas localidades e disse que pretende expandir a infraestrutura gradualmente. Por enquanto, porém, não existem regiões ou datas confirmadas para essas novas aberturas.
O progresso entre Steam e outras plataformas também foi esclarecido. Jogadores do Sudeste Asiático podem compartilhar o mesmo progresso entre PC e dispositivos móveis, enquanto os servidores de Taiwan, Hong Kong e Macau permanecem separados. Personagens desses servidores não podem ser transferidos para a região do Sudeste Asiático.
O polêmico inicializador separado também foi explicado
Outro ponto que incomodou bastante a comunidade foi a necessidade de utilizar um inicializador próprio mesmo depois de instalar Ragnarok: The New World pelo Steam.
Segundo os desenvolvedores, a exigência está ligada ao sistema de conta única, à sincronização do progresso entre diferentes plataformas e ao funcionamento da proteção contra trapaças.
A equipe reconheceu que essa etapa adicional não é a experiência ideal e afirmou estar estudando maneiras de eliminá la. Ainda assim, não existe uma previsão para quando isso poderá acontecer.
Monetização começa a ser revista
As críticas à monetização também entraram na pauta. De acordo com os desenvolvedores, alguns consumíveis que anteriormente podiam ser adquiridos na loja usando Pedras Estelares foram retirados desse sistema.
Entre eles estão pratos aprimorados, Folhas de Yggdrasil e poções de concentração. Esses itens agora podem ser obtidos por outros sistemas dentro do próprio jogo.
A equipe também destacou que os jogadores podem conseguir até 6.580 Pedras Estelares gratuitamente por semana por meio de atividades como o Hoppy Quiz e o leilão da guilda.
Outras mudanças ampliaram a possibilidade de negociação entre jogadores. Montarias e cartas de MVP podem ser colocadas em leilões, enquanto materiais, cartas e equipamentos também podem ser trocados.
Algumas cartas premium passaram a ter formas gratuitas de obtenção, e o Royal Gear pode ser encontrado em masmorras, contra MVPs, no mundo aberto e em baús especiais.
Progressão também passou por mudanças
A equipe aproveitou as respostas para explicar alterações feitas na progressão de personagens.
O indicador de poder de combate foi removido, enquanto as recompensas pela exploração do mundo foram aumentadas. As primeiras masmorras também foram simplificadas para tornar a entrada no conteúdo menos pesada para novos jogadores.
Um dos pontos mais relevantes é que os recursos obtidos exclusivamente por exploração agora são suficientes para aprimorar um conjunto completo de equipamentos até +10.
Os mascotes também receberam uma mudança importante. Em vez de depender apenas de tentativas aleatórias, os jogadores podem capturar determinados animais diretamente no mundo aberto.
Combate automático não será abandonado
O combate automático foi outro dos sistemas que mais provocaram críticas entre os jogadores de PC.
A explicação da equipe é que o recurso foi criado para reduzir a quantidade de tarefas repetitivas. A ideia é permitir que o jogador automatize atividades rotineiras antes de dedicar seu tempo aos conteúdos considerados mais importantes.
O mesmo raciocínio vale para o planejamento automático de rotas. Como Ragnarok: The New World foi desenvolvido desde o início como um jogo multiplataforma, os desenvolvedores argumentam que jogadores de celular e PC possuem rotinas diferentes e podem dedicar quantidades distintas de tempo ao jogo.
Na prática, isso significa que o combate automático continua sendo uma parte central da experiência, mesmo após a repercussão negativa no Steam.
Interface de PC deve receber mudanças
Talvez uma das críticas mais visíveis seja justamente a interface.
Ragnarok: The New World foi projetado simultaneamente para computadores e dispositivos móveis. Por isso, a versão de PC acabou mantendo diversos elementos de interface e controles pensados originalmente para telas sensíveis ao toque.
Os desenvolvedores reconheceram o problema e disseram estar avaliando alterações no layout, inclusão de mais teclas de atalho e simplificação da navegação pelos menus.
Mais uma vez, porém, a equipe não apresentou uma data para essas mudanças.
O futuro do MMORPG depende da resposta da equipe
Ragnarok: The New World chegou ao Steam em 26 de julho de 2026 e rapidamente passou a enfrentar críticas relacionadas principalmente à experiência de PC, monetização, automação e ausência de servidores em regiões como Europa e América do Norte. A própria página do jogo no Steam confirma a necessidade de uma conta de terceiros e atualmente registra uma recepção predominantemente negativa.
O cenário coloca a Gravity Game Vision diante de um desafio importante. O MMORPG ainda possui elementos que podem agradar fãs da franquia, incluindo exploração em mundo aberto, comércio entre jogadores, personalização e sistemas tradicionais de Ragnarok, mas a versão para PC chegou carregando várias características associadas ao mercado mobile.
Agora, mais do que novas funcionalidades, a comunidade parece esperar que a equipe consiga demonstrar que está realmente disposta a ouvir o feedback dos jogadores.
As respostas recentes são um primeiro sinal nessa direção. O problema é que, para transformar promessas em recuperação de reputação, será preciso mais do que reconhecer as críticas. Ragnarok: The New World terá de mostrar na prática que seu novo mundo pode ser mais do que uma adaptação mobile com uma versão para Steam.
