G-Star 2026 não terá Nexon, NCSoft, Krafton e Netmarble
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G-Star 2026 não terá Nexon, NCSoft, Krafton e Netmarble

A G-Star 2026, principal feira de games da Coreia do Sul, começa a revelar uma mudança importante no equilíbrio da indústria. Enquanto grandes empresas sul-coreanas como Nexon, Netmarble, NCSoft, Krafton e Kakao Games ficaram de fora da primeira relação de participantes do espaço BTC, companhias chinesas como HoYoverse, NetEase Games, Bilibili e Century Games aparecem com força.

O movimento reforça uma tendência que já vinha ganhando espaço no mercado: as grandes publishers coreanas estão cada vez mais interessadas em eventos internacionais, enquanto a G-Star tenta preencher o espaço deixado por elas com novas empresas e conteúdos.

A edição de 2026 será realizada no BEXCO, em Busan, entre 19 e 22 de novembro, com áreas BTC e BTB. A organização estabeleceu como meta chegar a 1.317 empresas participantes, acima das 1.273 registradas em 2025.

A ausência das gigantes sul-coreanas chama atenção

Entre as grandes empresas nacionais, Webzen aparece como um dos principais nomes confirmados na primeira lista mencionada pela reportagem. Já Nexon, Netmarble, NCSoft, Krafton e Kakao Games, tradicionalmente associados ao peso da indústria coreana, não aparecem nessa relação inicial.

No caso da Nexon, a ausência já foi oficializada. A empresa afirmou que decidiu não participar da edição deste ano para concentrar esforços na melhoria e no desenvolvimento de seus próximos projetos.

Não significa que essas empresas estejam deixando de lado os grandes eventos. O que está mudando é o destino desse investimento.

G-Star ficou cara para um mercado cada vez mais global

Participar de uma feira desse tamanho exige um investimento considerável. Segundo os valores divulgados pela própria organização, um estande independente de 9 m² custa 2 milhões de wons ($1,5 mil dólares). Um espaço equivalente a 100 estandes já representaria 200 milhões de wons ($145 mil dólares) apenas em aluguel, antes de custos adicionais como energia, montagem, sinalização, operação e equipe.

Existe ainda outro problema: preparar uma demonstração específica para uma feira exige meses de trabalho justamente quando os estúdios estão tentando finalizar seus próximos lançamentos.

Para empresas que trabalham cada vez mais com jogos de PC e consoles, cujo ciclo de produção pode levar vários anos, montar grandes estandes todos os anos se torna uma decisão mais difícil.

A questão também passa pela mudança do público-alvo. Durante muito tempo, a G-Star funcionou como uma importante vitrine para o mercado doméstico coreano, especialmente para empresas que disputavam jogadores com grandes MMORPGs e títulos mobile.

Agora, porém, boa parte dessas companhias está tentando conquistar jogadores na América do Norte, Europa e Japão.

Gamescom e Tokyo Game Show ganham espaço

É nesse cenário que eventos como a Gamescom, na Alemanha, e a Tokyo Game Show, no Japão, passam a ocupar uma posição estratégica.

A Gamescom 2026, marcada para Colônia entre 26 e 30 de agosto, terá a presença de empresas sul-coreanas como Krafton, NCSoft e Pearl Abyss, com novos projetos e demonstrações.

A Tokyo Game Show, por sua vez, também contará com grandes nomes coreanos em setembro. Nexon, Netmarble, NCSoft e Smilegate estão entre as empresas que participarão do evento japonês.

A diferença é importante. Em uma única feira internacional, as publishers conseguem apresentar seus jogos para consumidores estrangeiros, conversar com distribuidores e plataformas e ainda obter exposição na mídia global.

A G-Star continua tendo enorme relevância no mercado coreano, mas sua capacidade de gerar esse mesmo alcance internacional é naturalmente mais limitada.

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Empresas chinesas ocupam o espaço

Enquanto algumas das maiores companhias coreanas reduzem sua presença, as empresas chinesas estão fazendo o movimento contrário.

HoYoverse, NetEase Games, Bilibili e Century Games aparecem entre os nomes destacados na primeira relação de participantes da G-Star 2026.

O avanço não acontece por acaso. As publishers chinesas já ampliaram significativamente sua presença no mercado sul-coreano e passaram a utilizar eventos locais como uma oportunidade para apresentar seus jogos diretamente ao público.

Agora, a feira pode se transformar em uma vitrine ainda mais importante para essas empresas.

É uma mudança curiosa de cenário. A G-Star nasceu como uma grande celebração da indústria de games da Coreia do Sul, mas o espaço que está sendo deixado pelas grandes publishers nacionais começa a ser ocupado justamente por concorrentes estrangeiros.

A organização tenta mudar a própria feira

A organização da G-Star também reconhece que o evento precisa evoluir. Para 2026, a estratégia inclui ampliar a presença de desenvolvedores independentes, fortalecer conteúdos próprios e aproximar a feira de áreas como novas tecnologias e outras formas de entretenimento.

Documentos oficiais do projeto também apontam para a busca por estúdios independentes globais e grandes empresas internacionais, além do fortalecimento de anúncios de jogos, estreias mundiais e programas voltados ao público.

A meta é fazer com que a feira não dependa exclusivamente das grandes publishers coreanas para atrair público.

Mas existe um desafio evidente: quanto mais os gigantes locais se afastam, mais difícil fica preservar a identidade da G-Star como principal palco da indústria coreana.

O futuro da G-Star está em uma encruzilhada

A situação não significa necessariamente que a G-Star esteja perdendo relevância. O evento continua sendo uma das principais vitrines de games da Ásia e mantém uma estrutura robusta para público e negócios. Para 2026, a organização espera inclusive aumentar o número total de empresas participantes e o número de compradores do espaço BTB.

O problema é mais específico: qual será o papel da G-Star em uma indústria coreana que deixou de olhar apenas para o próprio mercado?

Se Nexon, Netmarble, NCSoft, Krafton e outras gigantes preferem concentrar seus grandes anúncios em eventos internacionais, a feira de Busan terá de convencer essas empresas de que ainda existe valor estratégico em voltar.

Enquanto isso, as publishers chinesas parecem dispostas a ocupar o espaço disponível.

A G-Star 2026 pode acabar sendo lembrada não apenas pelos jogos apresentados, mas pela mudança de protagonismo que está acontecendo dentro da própria feira. A grande questão agora é saber se essa transformação será apenas uma fase ou o começo de uma nova era para o maior evento gamer da Coreia do Sul.

Fonte: IT Chosun

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About Mairon Vieira

Jornalista especializado em gamers. Comecei jogando Gunbound, Tibia, Priston Tale, 2Moons Online, Pirates Online, Gonzuu Online, Trickester Online, Priston Tale, Cabal Online, Tree of Savior, entre tantos outros. Já trabalhou nos maiores portais de jogos do Brasil sobre MMORPG.

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