WoW: Forever aposta em progressão horizontal e ideia já movimenta c…
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WoW: Forever aposta em progressão horizontal e ideia já movimenta c…

Mairon Vieira
Escrito por

Jornalista especializado em gamers. Comecei jogando Gunbound, Tibia, Priston Tale, 2Moons Online, Pirates Online, Gonzuu Online, Trickester Online, Priston Tale, Cabal Online, Tree of Savior, entre tantos outros. Já trabalhou nos maiores portais de jogos do Brasil sobre MMORPG.

World of Warcraft: Forever quer mexer em uma das engrenagens mais tradicionais do MMORPG da Blizzard. Em vez de simplesmente elevar o nível máximo a cada grande ciclo de conteúdo e transformar equipamentos antigos em peças descartáveis, o novo projeto pretende manter os personagens no nível 60 e construir seu endgame em torno de uma progressão muito mais horizontal.

A proposta rapidamente virou assunto entre os jogadores. E não é difícil entender o motivo: depois de mais de duas décadas acompanhando World of Warcraft, a possibilidade de permanecer no nível 60 enquanto novos conteúdos continuam chegando representa uma mudança importante na maneira como Azeroth poderá evoluir.

O detalhe mais interessante, porém, é que WoW: Forever não pretende eliminar completamente a progressão de poder. A ideia da Blizzard é encontrar um meio-termo.

WoW: Forever quer evitar que todo equipamento fique ultrapassado

Em entrevista após a apresentação do projeto na BlizzCon 2026, o Senior Game Designer Josh Greenfield explicou que a equipe pretende usar o WoW original como uma das principais referências para o funcionamento dos equipamentos.

A diferença é que os saltos de poder entre os tiers deverão ser menores.

Segundo Greenfield, World of Warcraft continua sendo fundamentalmente um jogo de progressão vertical, e essa sensação de fortalecimento do personagem não desaparecerá completamente. O plano é tornar os aumentos de poder mais incrementais e, ao mesmo tempo, criar motivos para equipamentos antigos continuarem interessantes.

É aí que entra uma das ideias mais curiosas de WoW: Forever.

A equipe está desenvolvendo centenas de efeitos específicos para determinados tipos de conteúdo. Um equipamento pode oferecer uma vantagem contra dragões, por exemplo, enquanto outro pode possuir uma utilidade especial que permanece relevante mesmo depois da chegada de novas raids.

A intenção é criar situações em que jogadores tenham motivos para retornar a conteúdos lançados anos antes atrás de uma determinada peça, em vez de simplesmente ignorar tudo que pertence ao tier anterior.

Até equipamentos azuis poderão eventualmente ser melhores que itens épicos em determinadas situações.

A comparação com Guild Wars 2 é inevitável

A ideia imediatamente despertou comparações com Guild Wars 2, MMORPG conhecido por evitar uma escalada constante do nível máximo e do poder dos equipamentos.

No caso de WoW: Forever, entretanto, a abordagem não será exatamente igual.

A Blizzard ainda pretende preservar parte da tradicional busca por equipamentos e da sensação de fortalecimento encontrada em World of Warcraft. O que muda é a velocidade dessa escalada e a tentativa de impedir que cada novo conteúdo apague completamente aquilo que veio antes.

O resultado pode ser um endgame no qual possuir diferentes conjuntos para situações específicas seja mais interessante do que simplesmente perseguir um número maior.

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Profissões, Legacy e acampamentos entram nessa equação

A progressão horizontal também não ficará limitada aos equipamentos.

O sistema de Legacy foi apresentado como outra peça importante dessa filosofia. Ele poderá oferecer bônus relacionados à evolução de diferentes personagens e incentivar jogadores a explorar caminhos variados sem necessariamente transformar tudo em poder obrigatório de endgame.

Essa preocupação é importante para a equipe.

Greenfield afirmou que a Blizzard quer evitar criar um sistema alternativo que eventualmente se transforme em mais uma obrigação. Se determinada árvore se tornar necessária para um personagem permanecer competitivo, o resultado seria justamente outra barreira para jogadores que chegam mais tarde ou decidem desenvolver personagens secundários.

Os Campsites também fazem parte dessa tentativa de ampliar a experiência fora da tradicional corrida por equipamentos. Os acampamentos poderão oferecer benefícios associados às profissões e criar pequenos pontos de encontro pelo mundo, reforçando o componente social que marcou a experiência original de World of Warcraft.

Comunidade já discute até onde a Blizzard pode levar a ideia

A progressão horizontal se tornou rapidamente um dos assuntos mais discutidos em torno de WoW: Forever.

Nos próprios fóruns oficiais de World of Warcraft, jogadores vêm debatendo exatamente o que o conceito significará quando o MMORPG começar a receber novos conteúdos. Entre as principais dúvidas estão o tamanho dos aumentos de poder entre raids, a longevidade dos equipamentos e até onde a Blizzard conseguirá manter conteúdos antigos relevantes.

A discussão mostra justamente o tamanho do desafio.

Durante anos, jogadores de WoW aprenderam que uma nova expansão normalmente significa novos níveis, equipamentos mais poderosos e uma nova corrida pelo endgame. Forever tenta quebrar parte desse ciclo sem retirar completamente a sensação de evolução que está no DNA do jogo.

O nível 60 pode virar o ponto de partida, não o fim

A promessa de World of Warcraft: Forever é continuar expandindo aquela versão de Azeroth sem depender de aumentos sucessivos no limite de nível.

Isso significa que chegar ao nível 60 poderá funcionar menos como o começo de uma nova corrida numérica e mais como a entrada em um ecossistema crescente de raids, equipamentos especializados, profissões, personagens alternativos e sistemas paralelos.

A própria filosofia dos equipamentos reforça essa direção. Se uma peça obtida anos antes continuar sendo interessante para enfrentar determinado inimigo ou cumprir uma função específica, conteúdos antigos deixam de ser apenas etapas abandonadas da progressão.

É uma mudança delicada para um MMORPG tão associado à busca constante por equipamentos melhores.

Ao mesmo tempo, talvez seja justamente esse o experimento mais interessante de WoW: Forever. A Blizzard não parece querer eliminar a progressão tradicional de World of Warcraft, mas encontrar uma maneira de fazê-la coexistir com um mundo em que o passado continue relevante.

Se esse equilíbrio funcionar, o verdadeiro diferencial de Forever pode não estar em permanecer eternamente no nível 60, mas em fazer com que uma Azeroth cada vez maior continue valendo a pena ser explorada.

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